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 Bitter taste

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MensagemAssunto: Bitter taste   Qui Jul 18, 2013 7:28 pm

Da calmaria à tempestade

Sudoeste de Fiore, leste de Magnolia, cidade spa de Balsam. Um dos destinos prediletos de Makkiu quando passa pelo porto de Hargeon. Naquele 18 de julho de X789 o viajante e empresário chegava a Fiore de Minstrel e resolvera fazer uma pausa antes de seguir a Ferrovia até Seven, país que ficava distante demais de se alcançar por navio. O que ele não espereva é que a sacerdotisa de Kaardeloch e então assassina de aluguel, Asteria, o encontrasse.
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Makkiu Campbell
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Qui Jul 18, 2013 10:09 pm

From the calm to the storm

Começava a chover. Relâmpagos rasgavam os céus cortados pela chuva enquanto os trovões ecoavam. Meu olhar, costumeiramente impassível, se tornava frio de tão sério e centrado. Fitava de lado Asteria enquanto nossos corpos eram cobertos pela água e me focava exclusivamente nela, apesar de ainda assim não perder a noção do espaço a minha volta, do castelo para o qual ela havia me trazido. Em minha mente, apenas um pensamento indagando como afinal um dia tão calmo tinha sido levado a se tornar uma verdadeira tempestade, algo cuja resposta eu já sabia. Estranho e até mesmo paradoxal, eu sei, mas quando se tem mais de três séculos e meio aparentando menos de duas décadas o paradoxo torna-se tão comum que vira uma espécie de velho amigo.

- Você realmente quer seguir em frente com isso? Perguntei enquanto começava a me lembrar de como tínhamos chegado ali. Acredite, há sempre outra opção e se você não mudar de ideia eu não vou me conter.

O dia começara com o atracar do navio que eu pegara em Minstrel na noite anterior. Recebi uma chamada por lácrima de um dos meus representantes empresariais alertando sobre uma grande proposta de negócio com uma corporação de papéis em Seven. Se fosse a minha primeira vez fazendo uma viagem do tipo certamente eu pensaria em como era incômodo sair de um país tão distante de Seven quanto Minstrel tendo um prazo de apenas dois dias. Se fosse minha primeira oportunidade de ganho grande eu poderia ter deixado isso de lado. Se fosse. Mas não era então desci em Hargeon pela enésima vez pensando apenas em como estava cansado por ter dormido mal e queria terminar logo com os negócios.

Não precisei de muito tempo para decidir ir mais para leste. Na verdade aluguei a primeira carruagem que achei pelo caminho e disse ao cocheiro que seguisse para Balsam. Não há lugar melhor para relaxar em pouco tempo do que nos banhos termais de lá e osso falar com propriedade. Sinceramente perdi a conta de quantas eu viajei pelo mundo assim como de quantas vezes passei por Hosenka. Eu já tinha uma conta cativa em meu nome, ou melhor, sobrenome, já que a cada quinze ou vinte anos eu tinha de mudar a minha identidade. O menor dos muitos inconvenientes trazidos pela minha inusual magia.

A viagem a cavalo fora rápida e não levei mais que uma ou duas dezenas de minutos para ir do hotel a uma sala de banhos particular. Saí uma meia hora depois e dispensei a refeição. Não que não fosse saborosa, longe disso, mas eu realmente preferia o ambiente do Restaurante Expresso. Não sei, me fazia sentir mais comum, mais livre. O que eu realmente não esperava era a caminho do restaurante me deparar com aquele gosto amargo das memórias trazidas pelo cheiro de um demônio poderoso. A última vez que eu sentira algo assim emanando de um poder mágico que não fosse meu foi quando vi Alsiel, quase meio século atrás. Não podia ser coincidência. Nunca era.

Resolvi então adiar minha refeição e adiantar o encontro com quem quer que fosse. Levei menos tempo do que esperava porque eu não era o único me aproximando. A mulher de cabelos pretos que me apareceu tinha seguido na minha direção com quase tanta velocidade quanto eu seguira na direção dela. Quando a vi não pude deixar de pensar em como os demônios sempre escolhiam as presas mais puras. A pele dela tão branca, os olhos azuis tão serenos e as feições tão gentis... Ela era tão jovem para quele fardo. Há quantos anos estava amaldiçoada? Teria como eu carregado esse peso desde o nascimento?

- Como veio na minha direção deduzo que esteja me procurando. Quebrei o silêncio em um tom sem emoção. O essência de poder demoníaco era forte nela, mas nem de longe tanto era em Alsiel quando nos conhecemos. Ela não deveria ser como nós. Contratante. Concluí enquanto começava a me lembrar de como tínhamos chegado ali.Então, em que posso ajudá-la?


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Asteria Elphegort
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Sex Jul 19, 2013 12:05 am

 Nove anos. Esse fora o período pelo qual Asteria servira ao lorde negro que lhe "presenteara" com uma poderosa magia negra. Por quase uma década, ela havia vagado por toda a Fiore, conhecido cidades, montanhas, florestas, arquipélagos exóticos e outra infinidade de locais. Tudo em nome de um objetivo. Tudo pela libertação de Kaardeloch. Atualmente, este objetivo estava mais próximo do que nunca, de modo que a vilã mal podia se conter de tanta ansiedade.

 Trabalhando em nome de um ritual, ela coletara quase todos os itens de uma lista comprida e bem específica. 1000 corações comuns, 100 corações de magos, 10 corações puros e uma joia sagrada tão rara que ela teve de infiltra-se no palácio real para consegui-la. Agora só faltavam mais três. Em primeiro, a Lâmina de Alderon, o item mágico que há milênios atrás fora utilizado por um herói abençoado pelos deuses para destruir o portal que ligava Earthland ao Mundo Demoníaco. Em segundo, um coração maculado pelo poder de um lorde abissal. E para sua sorte, os dois itens finais estariam em Balsam no tempo certo.

Na semana anterior, a sacerdotisa finalmente localizara o paradeiro da arma. E ao que parecia, sua localização era um templo oculto por uma barreira mágica de névoa, numa região bem próxima à cidade em questão. Manipulando os contatos que adquirira em sua vida de crimes ela descobriu uma maneira de infiltrar-se na velha construção, passando pelo bloqueio mágico sem dificuldades. Matando todos os poucos guardas que se encontravam por ali, ela continuou sua jornada através do piso de granito para ter uma surpresa. A espada estava tão fragilizada em seu altar dourado que desfez-se em poeira assim que a sacerdotisa a tocou. Então, essa era a razão da pouca vigilância. Haviam se passado tantos anos que o tesouro dos deuses havia se tornado uma velharia. Mas não havia problema, mesmo naquela forma deplorável, a espada ainda serviria perfeitamente. Colocando a poeira cinzenta em um pequeno saco de couro, Asteria logo deixou sua cena de massacre para trás. 

O resto já é fácil de deduzir. Nos dias seguintes, ela seguiu o rastro do Demon Slayer, utilizando os poderes de Kaardeloch para tentar localizar a aura que o alvo emanava. No início, parecia haver um bloqueio, como se os poderes dele e do lorde, bloqueassem um ao outro. Mas recorrendo a rituais macabros e mais algumas vítimas, ela descobrindo que ele pararia para relaxar na cidade de Balsam. Mais algum tempo se passou e ele finalmente chegou. Como uma conhecida mercenária, Asteria era procurada e sua cabeça estava posta a prêmio. Se adentrasse um passo naquela cidade seria cercada e presa em pouco tempo. Precisava criar algo para atraí-lo para fora. Chamar sua atenção em algum local longe dos guardas. O templo da névoa que visitara recentemente.

Em uma prece a Kaardeloch, ela pediu que ele irrigasse sua aura demoníaca pelas redondezas. Para chamar o mago imortal diretamente para sua cilada. Algumas horas depois, lá estava ele, coberto pela chuva que começara repentinamente. Apesar de parecer jovem, Asteria podia perceber que o olhar de Makkiu possuía algo de diferente. Uma serenidade que alguém só pode conhecer depois de séculos de existência. Por um momento, eles apenas se encararam. Até que ele quebrou o silêncio. Disse que se ela ainda quisesse voltar atrás, aquela era a hora.

- Matador de Demônios... - Asteria respondeu com um olhar determinado e um sorriso que expressavam toda a sua ansiedade assassina. - Nossos caminhos se cruzaram finalmente. Por muito tempo eu esperei por este dia. Você já deveria saber que depois de chegar a este ponto... - Ela parou por um segundo como se sentisse a chuva sobre si uma última vez. - ...Só um de nós sairá vivo deste lugar.

Mais algumas palavras foram ditas pelo visitante e ela logo continuou:
 
- Para que um mundo sem guerras possa tomar forma, é necessário que os obstáculos sejam eliminados. Apenas um grande poder tem o que é necessário para subjugar todos os que entrarem em seu caminho. - Ela fez uma pausa e prosseguiu. - Durante anos, eu vaguei por esta terra almejando este ideal e hoje eu finalmente o obterei. Assassino de Lordes. Você possui a última peça do grande quebra cabeça que libertará o glorioso Kaardeloch. O único que pode trazer paz a este mundo.

Assumindo um olhar determinado e começando a irradiar a aura maligna de seu senhor, ela apontou seu dedo indicador da mão esquerda para o inimigo e pronunciou as palavras que valeriam por toda aquela conversa.

- Um coração maculado pelo poder de um lorde. A chave para a salvação da humanidade está dentro do seu peito!


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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Sex Jul 19, 2013 2:55 pm

 From the calm to the storm


Se antes eu achava lamentável o quão jovem aquela garota era para o fardo que carregava agora era por sua mentalidade que eu deveria lamentar. Em tudo aquilo o que mais me surpreendia era a sua fé cega. Eu não via um fanatismo cego assim desde que os Executores de Zentopia tinham-se tornado nas Tropas Legionárias. Nem mesmo a certeza com a qual ela me chamava de Demon Slayer ou demonstrava saber que meu demônio era do mais alto nível tinham a mesma força da devoção demonstrada a cada vez que ela falava em seu objetivo e em seu mestre. Era como se a certeza que guiasse seu atos fosse inabalável.

Como, afinal, uma pessoa ignorava a tal ponto o senso comum? Não que eu realmente pudesse falar, não que depois de todo o tempo que vivi eu simplesmente julgasse uma pessoa por algo tão pequeno quanto sua raça ou sua linhagem sanguínea, não que demônios fossem todos malignos, a a tribo da Ilha Galuna mesmo era mais humana que a maioria das pessoas, mas é de se esperar alguma desconfiança de alguém que nunca nem se viu pessoalmente e se Kaardeloch estava selado então certamente esse era o caso durante, inclusive, o firmar do contrato entre os dois. Algo assim não poderia ser simplesmente passado ou induzido por outra pessoa. Um contrato é, e me perdoem a ironia, sagrado para um demônio. Algo que ele faz diretamente com o contratante.

- Acorde, criança. Comecei a respondê-la como se aquilo não fosse mais do que uma conversa normal. O que você realmente sabe sobre demônios e ainda mais de alta casta? Você realmente acha que um deles é um salvador glorioso? Perguntei em um tom cada vez menos expressivo e mais imponente. Se á assim, para começo de conversa, porque ele foi selado? Ou acha mesmo que a maioria das pessoas não deseja algo como um mundo sem guerras?

O gosto amargo do passado, de falar dele e da minha maldição parecia se apoderar cada vez mais da minha boca. Cada vez mais memórias se apoderavam da minha mente, cada vez mais palavras não ditas em momentos que eu as queria ter dito incomodavam presas em minha garganta. Eu não demonstrava, eu nem mesmo me importava para falar a verdade, mas o assunto daquela conversa não poderia ser mais desconfortável. Só essa noção fora suficiente para que por um momento eu não pensasse na reação da garota, para me fazer esquecer que ela havia dito que apenas um de nós sairia dali vivo.

Ela poderia, é claro, dizer que era injusto rotular seu senhor por ele ser o que era, que nem sempre o pensamento da maioria é justo, que Kaardeloch e ela mesma estavam apenas fazendo o necessário, fazendo a última escolha que os restara, para lutar por um bem maior. A questão é que eu teria todo o conhecimento necessário para rebater isso. Eu vivi o bastante para saber que o nascimento da fés predesse o de governos e cria um ponto comum, uma identificação mútua, uma verdadeira unidade entre um povo. Trezentos anos atrás, por exemplo, haviam tão poucas pessoas com direitos civis que era mais fácil um estrangeiro ser chamado de "fiel estrangeiro" do que de "cidadão estrangeiro" e quando os nobres perceberam isso, o quanto a fé era poderosa como forma de manipulação do povo que era afinal a verdadeira fonte de todo o poder, trataram logo de tornar os clérigos em uma nova casta. 

A verdade é que a fé pode mover montanhas de pessoas e montanhas de pessoas podem mudar toda sociedade. Um novo salvador poderia ter para si o mundo se tivesse tempo o suficiente para isso e um demônio tinha todo o tempo que poderia querer. Kaardeloch não queria ser um salvador, ele era um verdadeiro Maō e aquela criança era apenas uma peça em seus planos. Ela estava envolvida demais para notar isso, da mesma forma que parecia envolvida demais para notar o que tinha dito por si mesma: Kaardeloch não era o único Maō ali. Eu poderia não ser um demônio, mas literalmente tinha a força de um desde o meu nascimento. Se alguém fosse sair morto dali não seria eu.

- Não existe tal coisa como um mundo sem guerras. Conflitos fazem parte da natureza de todos os seres vivos e suprimir isso nada mais é do que impor a força ditatorialmente. Essa era a verdade e eu pouco me importava com as reações da garota quando a ouvisse. Se iriamos realmente lutar a última coisa que eu realmente faria seria me preocupar com ele a cada ataque. Seu sonho é apenas vencer uma guerra e não importa com quantas palavras, bonitas ou desesperadas, você mascare isso, continuará apenas repetindo o ciclo que diz trabalhar para romper. Não espere minha ajuda.


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Asteria Elphegort
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Sex Jul 19, 2013 3:57 pm

 Ao ouvir as palavras do Demon Slayer, Asteria foi tomada por uma gargalhada de puro escárnio. Olhado para Makkiu com uma expressão maligna e cheia de frieza, ela começou a refutar seus argumentos.

- Não sinta pena de mim imortal e não pense que sou uma tola que não sabe o que está fazendo. - Seu olhar se estreitou antes que ela continuasse. - Lorde Kaardeloch é maligno e eu sei muito bem disso. O bem nunca fez nada pela humanidade além de encher-nos de sonhos vãos e ilusões. O mundo sem guerras só virá depois que os fracos forem destruídos. Não existe lugar para eles no novo mundo. A humanidade terá de aprender a ser forte. E pelo desespero, todos conhecerão a paz e se tornarão fortes. Meu mestre foi selado por defensores de mentiras e de banalidades que apenas atrapalham a evolução dessa raça que a cada dia se encontra mais podre.

Ela podia perceber que aquela conversa o incomodava, como se as palavras dela o fizessem lembrar de um passado não muito agradável. Asteria não se preocupava com isso, mas pelo contrário, adorava provocar aquele tipo de sentimento nas pessoas. Para ela, não havia prazer maior do que causar dor e sofrimento. Mesmo que em alguém tão calmo como Makkiu, o máximo que ela pudesse causar fosse um olhar como aquele, já era alguma coisa.

Makkiu continuou a falar, declarando suas convicções a respeito do sonho da maga ser algo totalmente utópico e fora da realidade. O sorriso de Asteria perdeu um pouco do brilho. Ela sabia que o destino que almejava era algo extremamente difícil de se obter, mas ela não desistiria. Com ou sem Kaardeloch, ela queria criar um mundo de paz. 

- Uma coisa que eu aprendi na jornada até aqui. É que o único jeito de se obter um ideal tão distante como o meu... É por meio da força. - A aura do lorde começou a emanar da sacerdotisa, como se o próprio demônio quisesse se manifestar ali. - Um mundo de paz não significa um mundo feliz. Liberdade é um mito. E a única coisa que provoca é o caos.

Asteria fechou os olhos por alguns segundos e logo mais abriu-os novamente. Assim que fez isso, os céus rugiram furiosamente e um grande círculo de fogo cercou aos dois magos. Mas não eram chamas profanas como o poder demoníaco que irradiava naquele local. Era algo sagrado e contrastava diretamente com a escuridão. 

- Mas sabe... - Ela retomou sua fala. - Às vezes até os poderes dos fracos podem ser úteis. O círculo que você vê agora é uma barreira mágica forjada com os restos da lendária Lâmina de Alderon, que numa era já passada há muito tempo, pôs fim à guerra entre humanos e demônios. Nunca esperei que cooperasse comigo Demon Slayer. 

Antes que a maga terminasse de falar, o sorriso diabólico retornou a sua face e seus cabelos começaram a se mover como se fossem afetados pela aura contrastante:

- Esta barreira só vai se dissolver após a derrota de um de nós neste campo de batalha. Você não tem mais a escolha de sair daqui sem um combate. Ou luta contra mim... Ou se renda e espere pelo destino inevitável.

- Dark Cannon! - Disparando o primeiro golpe e tendo como mira o peito do inimigo, Asteria deixou claro que aquela introdução havia chegado ao fim.


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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Sex Jul 19, 2013 9:43 pm

 From the calm to the storm


O círculo de fogo impregnado de energia sagrada era imenso, imponente, um verdadeiro selo celestial, mas ainda assim insignificante perto do que tinha se tornado a conversa. Da gargalhada à frieza, da frieza ao descontentamento. O humor da bela mulher a minha frente que mais do que pela diferença de idades, pela mentalidade iludida, eu via como uma criança estava completamente instável. Suas palavras já se contradiziam e logo revelavam um pouco mais de quem aquela figura apequenada e claramente tão marcada era. Suas falas expressavam o mais profundo ressentimento, demonstravam sua decepção com paz, liberdade e felicidade. Eram falas de alguém que conhecia não apenas a sensação de cada um dessas coisas, mas também a dor de perdê-las.

Tinha-me virado de frente quando seu sorriso tinha perdido parte de seu brilho inicial, mas só agora eu realmente a encarava. Afinal, pelo que tinha passado para ter tanta dor dentro de si? Tinha de ser algo muito forte e antigo porque se fosse um trauma ressente, já adulta, sua mente teria bloqueado o sofrimento por causa do choque. Era algo de quando a perda de memória não teria valor defensivo tão grande, era algo de sua infância. Alguma perda e para ter atraído a um contrato uma perda de tudo que a importava. Família e amigos era uma opção óbvia demais e coisas assim nunca são óbvias então deveria ter mais alguma coisa e talvez eu tivesse logo descoberto o que se minha atenção não tivesse sido roubada pela concentração de energia nas mãos dela.

Uma massa de aura demoníaca disparada como ataque, um fragmento daquela que emanando do corpo de minha agora adversária que por sua vez era apenas um fragmento da aura de seu mestre. Falando assim até parece algo pequeno, mas não era. Eu apenas estava habituado àquele tipo de poder tão parecido com o meu e até mais ameno. Muito mais ameno. Eu apenas era imune à escuridão, inclusive a que fora disparada contra o meu peito e não conseguira mais do que balançar meus cabelos e a gola da camisa branca que eu usava por dentro do sobretudo bege de dupla abotoadura.
 
- É suposto que não seja uma tola mesmo agindo como uma ou já esqueceu das próprias palavras? Perguntei colocando as mãos nos bolsos e começando a caminhar lentamente na direção da minha adversária. Eu matei, como você mesma disse, um demônio do mesmo nível do seu senhor, eu estou acima do nível dele. Falei de forma absolutamente sem arrogância ou orgulho. Como exatamente ele pode ser o único a salvar o mundo? Como exatamente você acha que dependendo do poder dele pode ser capaz de trazer alguma mudança?

Cheguei ao ponto de quase perguntar se ela pretendia se matar pelo próprio objetivo, afinal, se todo o seu poder vinha do contrato não era exatamente dela. Mas me contive. Eu já estava sendo rígido demais com ela e minha tranquilidade em caminhar na sua direção sem revidar seu ataque, claramente inabalado por ele, bem implacável.

- Como eu disse, acorde, criança. Falei sobrepondo o som da minha voz ao da chuva, do vento e da energia pulsante da barreira, ainda assim sem falar realmente alto. Só no último século existiram pelo menos duzentas pessoas capazes de derrotar o seu senhor facilmente, isso contando apenas com os que conheci, vi e ouvir falar a respeito porque parando para pensar sobre os que existiram sem que eu soubesse é possível estimar que o número tenha sido pelo menos mil vezes maior.

Na verdade, se fossemos parar para pensar bastaria citar os Dez Magos Sagrados para se estar falando de um poder maior que de Kaardeloch. Os Quatro Deuses de Ishgal então eram individualmente tão mais poderosos que nem de longe poderiam seriam chamados de humanos.

- Você diz que o bem nada fez de bom, mas ainda assim luta por ele ou por acaso acha que um mundo sem guerras não é algo do bem? Tornei a indagá-la de forma quase retórica sem nunca parar minha aproximação. E se liberdade é ilusão então porque podemos pensar de forma diferente? Se felicidade é ilusão porque toda a animação que sua linguagem corporal bradava até agora a pouco?

Detive minha caminhada apenas diante dela. Estávamos agora tão próximos que ela sequer precisaria esticar o braço para me alcançar. Agora eu era forçado a olhar para baixo se quisesse fitar os olhos da mulher, uns bons centímetros mais baixa, e isso me desagradava porque só aumentava minha facilidade de parecer esnobe.

- Você não tem resposta para nenhuma dessas perguntas. Rompi o silêncio depois de poucos segundos a encarando. Você mesma sabe em seu íntimo que é iludida porque entende o que é amor e felicidade, o que é ser livre e passar dias fazendo apenas o que quer. Você apenas experimentou o desespero ao perder tudo e enquanto estava mais frágil recebeu de Kaardeloch uma razão para viver na ambição dele e no poder dele uma força para seguir em frente. Detive-me apenas por um instante apertando os olhos como se estivesse lendo algo escrito em letras pequenas. Você é apenas aquela garotinha traumatizada que foi ferida cedo demais e agora quer se vingar do mundo que a fez sofrer. Você é apenas alguém que se ilude.



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Asteria Elphegort
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Sex Jul 19, 2013 11:06 pm

 As palavras de Makkiu acertaram-na como um golpe mais poderoso do que qualquer outro. Ele a encarava como se pudesse tentar entendê-la. Seus olhos ligavam-se aos seus como se visse em seu semblante todos os acontecimentos de sua vida. Asteria tremeu quando suas próximas palavras vieram à tona. Antes confiante e totalmente segura de si, a maga agora possuía uma crescente dúvida. Durante todo o tempo a que servira Kaardeloch, ela permanecera num semi-afastamento do mundo. Isto é, apesar de interagir todos os dias com pessoas e com os acontecimentos relacionados a elas, a presença do lorde sempre em seus pensamentos, sussurrando ordens e conselhos a havia deixado de fora da realidade. Desde os treze anos, seu mestre fora o único pai, a única família que tivera. Ele sempre se referia a si mesmo como o auge do poder. Da glória. Uma salvação para o mundo perdido. As palavras de Makkiu não poderiam ser verdade. Não para alguém que estava tão entorpecida quanto ela.


"Que pensamentos são estes Asteria?" uma voz fria soou na mente da maga, a fazendo entrar em temor e arregalar seus olhos. "Por acaso duvida de mim?! Criança insolente! Duvida do poder de seu mestre?!" Os lábios da sacerdotisa tremeram, mas as palavras simplesmente não saíam. "SUA TOLA!! SERÁ QUE EU DEVERIA TER DEIXADO VOCÊ MORRER NAQUELE DIA?!" A voz de Kaardeloch neste momento foi tão intensa que até mesmo gerou uma onda de energia. Asteria começou a tremer. O medo e a dúvida enchiam seu semblante. Ela se perguntava o por que daquilo. Durante todos esses anos, várias outras pessoas a haviam dito muitas coisas sobre sua fé cega. Alguns até com palavras mais sábias que as do próprio Demonslayer, mas ela nunca dera ouvidos. Lorde Kaardeloch era absoluto para ela. Até aquele dia. Ela sentia um tom diferente na voz de Makkiu. Algo que a fazia sentir que tudo o que ele dizia era verdade.


- Cale-se! - Ela gritou para Makkiu, levando as mãos até a cabeça, como se sentisse uma dor muito intensa. - O que você acha que sabe sobre mim?! Eu odeio este mundo e todos os que acreditam nestes valores estúpidos que você defende! - As mãos se afastaram e ela olhou para o oponente com a expressão cheia de rancor e ódio. 


Mas qualquer um poderia perceber que não era ódio dele que ela sentia. Sua ira era direcionada a ela mesma. Por que sua força não fora o suficiente. Nunca seria. Ela sabia disso. O verdadeiro desejo de Asteria sempre fora proteger aqueles que eram importantes para ela. Mas ela falhara. Falhara a onze anos atrás e Kaardeloch se aproveitara disso para forjar uma serva cega e extremamente leal.


- Sword of The Fallen! - A lâmina demoníaca surgiu como uma sombra nas mãos de Asteria no momento em que dois raios eram atraídos em direção da barreira, alimentando as chamas e fazendo e provocando um clarão.


Indo de encontro a Makkiu com um grito de guerra, Asteria tentava deixar todas aquelas palavras fora de sua mente. Ela não era fraca. Não mais. E nunca mais voltaria a ser. A presença do Demon Slayer ali a perturbava muito. Toda vez que olhava em seus olhos, aquelas palavras ressoavam, e a cada vez que ela tentava ignorá-las seu ódio aumentava mais e mais, até o momento de ela se encher de fúria e aumentar subitamente  a velocidade de seus golpes, que até agora haviam sido completamente inúteis.


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Makkiu Campbell
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Sab Jul 20, 2013 2:08 pm

 From the calm to the storm
 
Quantas vezes tinha visto aquilo? Aquele tipo de reação que eu reconhecia tão facilmente, que se apoderava do corpo da garota. A reação de estar descoberta, indefesa, mais que nua, transparente ao olhar de alguém. A reação de quem está sendo lida exatamente da forma que não queria ser, de ter evocados pelas lembranças os mais aterrorizantes fantasmas do passado. Eu fora ensinado durante minha criação a criar aquele tipo de jogo mental e por mais cruel que fazê-lo fosse, em algumas situações era necessário. Naquela situação era necessário. Para trazer aquela criança a si, tirá-la de sua ilusão, de seu transe auto-induzido, era necessário.

Eu sabia o peso de cada uma das minhas palavras e sabia perfeitamente. Um peso com que esmagavam cada defesa, cada crença cega da garota e Kaardeloch certamente também sabia disso. Eu podia não ouvir o que ele dissesse, evidentemente porque nem estava no mesmo plano dimensional e nem tinha um contrato com ele, mas pode-se dizer que eu sempre fui o maior especialista em demônios que poderia existir. Com certeza ele a estava questionando ameaçadoramente, a pressionando usando o ponto fraco dela, o desespero que atraiu o contrato, as lembranças de quando selaram o pacto.

Foi então que que os gritos dela ecoaram, em um estranho uníssono com os trovões que seguiam o clarão dos relâmpagos permeando os céus no momento da investida contra mim. Eu reconhecia a aura inumana na lâmina que ela materializara da sombra, eu entendia sua afiada percepção de combate que havia compreendido a incapacidade de me ferir com magia das trevas que não tivesse característica física. Por um instante me perguntei onde tamanho potencial de observação a teria levado. Quão brilhante seria o futuro daquela criança se não tivesse sido tocada pela natureza do meu mundo. Com isso em mente teleportei-me quando estava prestes a ser atingido por sua lâmina, para muito além de seu alcance.

- Você me perguntou o que sei sobre você e eu respondo que sei que tudo aquilo que eu disse é verdade, que na realidade você ama este mundo porque se não amasse não iria querer salvá-lo e sim destruí-lo, que na verdade você odeia a si mesma por como toda criança se culpar pelo que aconteceu, que bem lá no fundo você se considera fraca porque todo o seu poder vem Kaardeloch e quando ele estiver livre você terá nada. Falei recomeçando a andar na sua direção exatamente como fizera antes, mas em um passo mais lento por estar agora menos distante.  Eu sei que você tem medo de aceitar tudo isso, de sentir o peso de tudo o que fez, mas nem de longe tanto quanto tem medo de ser ver sem nada, sozinha.

Novamente eu estava diante dela, agora até mais próximo do que antes dela se afastar para conjurar a espada. Minhas mãos continuavam nos bolos e minha cabeça levemente inclinada para baixo de forma que pudéssemos encarar os olhos um do outro. Era como se cada ação minha fizesse questão em deixar espaço para que ela também me lesse, também me questionasse, também me respondesse.

- Eu também sei que você está se perguntando como eu consigo ver tanto sobre você e por quê minhas palavras a afetam tanto, mais do que quaisquer outras que já tenha ouvido. Eu e qualquer um que olhasse para o semblante dela, diga-se de passagem. E eu lhe respondo isso também: é por que eu não estou defendendo um ideal ou atacando outro, não estou falando para parecer sábio, não estou falando de certo e errado, estou apenas falando a verdade.

A verdade que ela já sabia, a verdade contra a qual ela não podia argumentar, da qual ela não podia simplesmente fugir. Para completar isso a minha própria linguagem corporal inexpressiva era coerente com a característica das minhas falas, fazendo com que a minha própria imagem refletisse tudo o que eu tinha dito, torando a minha simples presença em uma forma de relembrar absolutamente tudo que eu já tinha dito, de trazer a tona o sabor amargo do qual ela lembrava.

- O seu problema, criança, é que você não entende a amplitude dos conceitos de "forte" e "fraco". Dizia mais como se estivesse lendo isso nela do que falando um pensamento meu. Não é recebendo poder dos outros e querendo mudar o mundo que se é forte, é decidindo com sua própria força mudar a si mesma que se é forte. 

E isso eu aprendi séculos atrás. Levei literalmente anos até deixar de me ver como um escravo e isso porque não havia ninguém interferindo, tentando me impedir. Com ela era diferente. Àquela altura Kaardeloch deveria, mais uma vez, estar a confrontando, a amedrontando, a impedindo de ver que o único que precisa de ajuda para se salvar ali era ele mesmo. 

- E antes de temer o seu mestre, lembre-se que ele depende de você e não o contrário. Balancei levemente a cabeça atestando a certeza das minhas palavras. E diga-o para deixar de se esconder debaixo da saia de uma criança e falar diretamente comigo ao invés tentar dizer que não tem o que me provar.



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Asteria Elphegort
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Sab Jul 20, 2013 11:07 pm

Já cansada de golpear, tanto física quanto mentalmente, Asteria caiu de joelhos sobre o chão enlameado. A aura de Kaardeloch estava pesada sobre a mesma, como se de algum modo, o lorde forçasse seu poder sobre o corpo da sacerdotisa, com o intuito de incentivá-la, pelo medo, a nem sequer pensar em revoltar-se. Mas àquela altura, aquilo já era impossível. Pela própria vontade de Asteria, sua lâmina desapareceu numa cortina de fumaça, deixando-a sem defesa perante Makkiu. Ela não conseguiria... Não, ela não queria mais lutar. Já não sabia mais no que acreditar. Durante anos, ela sofrera uma lavagem cerebral e agora tudo pelo que lutara, não valia mais a pena. 


"LEVANTE-SE AGORA!" A voz de Kaardeloch rugiu mais furiosamente do que nunca. Mas a sacerdotisa não moveu um músculo. "Não..." Ela respondeu mentalmente a seu senhor, cravando as unhas na própria pele e derramando um pouco de sangue. "COMO OUSA ME TRATAR ASSIM?! ESQUECEU QUEM SOU EU?! DE TODO O MEU PODER?! LEVANTE-SE AGORA OU..." A ira de Kaardeloch foi cortada por um brado de Asteria.


- Você é surdo demônio estúpido?! - O olhar da maga havia mudado totalmente. Asteria rangia os destes em frustração e ódio. Makkiu dissera a verdade. Ela não passava de uma criança iludida. Todo aquele tempo trabalhando em nome de um mal que em vez de paz, traria ao mundo apenas mais dor do que ele já possuía. - Até o dia de hoje, eu o segui como uma verdadeira cega! Tirei inúmeras vidas apenas para agradar suas obsessões sujas e corruptas! Mas não mais Kaardeloch! - As primeiras lágrimas começaram a brotar em seus olhos. - Meus pais me mostraram o caminho certo! Se eu tivesse morrido junto com eles, teria sido bem melhor para mim! Eles foram a minha única família verdadeira! Não ouse nunca mais... ME CHAMAR DE SUA FILHA!


Um rugido grave e poderoso fez o ar tremer e a própria realidade começar a ser afetada. A energia negra começou a fluir de Asteria como nunca antes em toda a vida da maga. Mas havia algo de errado. Aquele poder não estava a auxiliando. Estava a envolvendo completamente numa escuridão profunda e desesperadora. Apesar de finalmente poder ver com clareza, já era tarde demais para ela. "ACHA QUE PODE SIMPLESMENTE FUGIR ASSIM?!" A voz voltou a soar dentro da mente da jovem, enquanto esta gritava, sentindo dores terríveis. O tom de Kaardeloch assumiu uma postura mais cruel e venenosa, como uma serpente após encurralar sua presa. "Você me vendeu sua alma por livre e espontânea vontade. Um coração maculado pelo poder de um lorde..." O demônio sorriu e Asteria de imediato lançou um último olhar para Makkiu, conseguindo dizer apenas poucas palavras, antes de uma explosão gigantesca, mudar radicalmente a paisagem daquele lugar, abrindo uma cratera enorme no chão.
 
- Me... Mate...


Quando a poeira enfim baixou. Asteria já não estava mais ali. Em seu lugar, uma criatura de aspecto humanóide sorria de orelha a orelha, com seis olhos amarelados brilhando com soberania e arrogância naturais.


- Ssaudaçõesss Demon Ssslayer. - A voz do homem era sibilante como a de uma serpente. Abrindo as mão numa apresentação, ele continuou. - Eu sou Kaardeloch, o corruptor de almasss.

Kaardeloch:
 


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Makkiu Campbell
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Dom Jul 21, 2013 11:59 am

 From the calm to the storm


Esperei que fosse demorar mais. Esperei que a garota fosse se negar mais a aceitar a verdade da qual tinha tanto medo, que incapaz de manter o confronto de ideias  continuaria partindo para cima de mim até que não tivesse mais forças para me atacar, para que só então, indefesa e se dando conta de que a barreira que levantava a aprisionava ali tirando-lhe até a última chance de fugir de minhas palavras fosse finalmente cair em si. No fim, mesmo sem querer, acabei subestimando-a. Ela era muito mais forte e inteligente do que eu imaginava, ela havia me poupado tempo e esforço, e me provado que tudo o que precisara o tempo todo fora alguém que lhe dissesse a verdade.

Mas eu sabia que não seria o único a perceber isso. A aura do demônio respondia às minhas expectativas se fazendo cada vez mais intensa. Logo aquilo que deveria ser uma tentativa de me matar tornava-se uma luta da criança crescendo contra seu opresso e como eu queria acreditar nela. Na vitória dela. Infelizmente, como eu disse, sempre fui o maior especialista em demônios que poderia existir, eu sabia que sem poder próprio ela nunca seria capaz de sobrepujar um Maō assim como sabia o que ela me pediria quando se desse conta disso. E foi quando veio a súplica dela que decidi que me tornaria o poder do qual ela precisava, que a emprestaria o meu poder.

Olhei-a uma última vez antes que fosse vencida. Olhei-a impassível, dizendo que faria as coisas da minha própria maneira, como tinha feito até agora, afinal, se fosse para eu agir da maneira mais óbvia teria reagido às suas ofensivas e àquela altura provavelmente a teria matado. Esse pensamento me lembrou que eu precisava pensar em como remover a barreira quando tudo aquilo terminasse. Eu sei, eu sei, estranho eu consegui pensar tão calmamente enquanto Kaardeloch se manifestava e embora eu pudesse facilmente culpar meus séculos de vida e experiência por uma mentalidade com discernimento o bastante para se manter inabalada nessa situação, mas não seria justo fazê-lo porque desde que me lembro sou da mesma forma, desde de muito antes da minha segunda década e mesmo agora, tão depois do meu segundo século.


A explosão e aura e poder mágico abrira uma cratera afastando o solo que gentilmente me afastava junto. Decidi por fim colocar as primeiras coisas primeiro e focar na aberração que se apresentava. Estranho chamá-lo assim quando éramos em tantos aspectos tão parecidos. Imunes ao tempo, possuidores de poderes esmagadores, violadores da ordem natural... Talvez fosse justamente por todas essas semelhanças que eu pudesse falar tanto e talvez fosse com essas semelhanças que eu pudesse ajudar aquela criança.

- Não, você é apenas um fragmento, uma manifestação incompleta de seu verdadeiro poder que mesmo sendo mais forte do que a criança continua em um nível totalmente inferior ao meu.  Falei no mesmíssimo tom inabalável com o qual me dirigia a minha antes adversária, ainda com as mãos nos bolsos do sobretudo. Mas devo admitir que estou um pouco curioso em saber se você acha mesmo que eu me conteria por você está no corpo dela, se acredita realmente que mesmo incompleto poderia me vencer mesmo quando completo você não tem um poder mais do que equivalente ou se resolveu parar de se esconder e conversar com a própria voz. 

Prestando bem atenção, se eu fosse um humano comum, se é que eu ainda posso me considerar de alguma forma pelo menos humano, eu estaria sufocado pela presença daquela criatura. Isso considerando que eu tivesse o mesmo nível que possuo por causa da Demon Slayer porque qualquer um mais fraco tremeria de medo.

- De toda forma, saudações, "Kaardeloch". Falei com certa ênfase no nome em menção clara ao que eu dissera sobre ele estar incompleto. Meu nome não foi feito para os seus lábios, se é que você tem algum, e eu serei o seu algoz. 

Meu tom fora irônico, não por estar impregnado de sarcasmo, mas sim por ter sido tão polido, tão educado, que chegava a parecer gentil. Apesar disso aquelas palavras refletiam minha resolação de que talvez não naquele momento, mas certamente eu mataria Kaardeloch.



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Asteria Elphegort
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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Dom Jul 21, 2013 2:24 pm

 O rosto do demônio tinha uma expressão vazia. Era impossível perceber, até mesmo para alguém tão vivido quanto o Demon Slayer, descobrir qual era a emoção da criatura naquele momento. Encarando Makkiu com um brilho maligno em seus seis olhos, ele por meios mágicos, fez o outro ver com seus próprios olhos, partes importantes de seu passado. Kaardeloch nunca gostara do mundo demoníaco. Para ele, os jogos de poder no mundo dos humanos eram bem mais interessantes. Ele nunca fora um lorde de grande poder, como seus semelhantes, mas o verdadeiro poder do corruptor de almas estava na arma mais poderosa de todas. A língua.

Envolvido em quase todos os grandes acontecimentos de seu mundo de origem, Kaardeloch era um mestre das intrigas e da traição, uma força antiga geradora de caos e intrigas, que desde o início da caminhada da humanidade por Earthland, corrompera homens e mulheres, escolhendo apenas corações puros e cheios de bondade para derramar seu veneno e transformá-los em seus servos, enchendo-os com uma fé cega e sem sentindo. 

Ele mesmo iniciara a Grande Guerra, inicialmente jogando os lordes em conflitos uns contra os outros, e depois influenciando sua chegada a Earthland. No entanto, quando Alderon selou a criatura e destruiu o portal que ele usava para viajar, seus irmãos descobriram sua mentiras e o trancafiaram numa grande prisão feita apenas para ele. Mas como o senhor das intrigas, ele escapou depois de muito tempo. Quando ouviu a revolta de uma criança humana. Asteria Elphegort. A última sacerdotisa.

Depois daquilo a visão se desfez, e juntamente com ela, as nuvens de chuva se dissiparam. O céu retornava ao normal aos poucos e não havia nem mais sinal de Asteria ou Kaardeloch. Aos pés de Makkiu apenas uma pequena adaga com o símbolo de uma serpente incrustada ao cabo. Era claro que a criatura aproveitara-se do momento para escapar, uma vez que até a barreira havia desaparecido. Mas havia algo de perturbador no ar. O lorde ainda não havia sido derrotado. E definitivamente voltaria para fazer uma visita a Makkiu. Seu mais novo inimigo.

Enquanto isso, já a uma boa distância dali, Kaardeloch tentava em vão apagar as memórias de Asteria, limpando sua mente de todos os acontecimentos daquele dia. Mas por algum motivo, ele não conseguia. Aquele encontro com o Demon Slayer havia afetado a jovem de tal forma, que estas lembranças haviam se tornado permanentes. Sem outra alternativa, o corruptor de almas bloqueou todos os acontecimentos daquele dia em uma zona do subconsciente da maga, selando suas memórias com um feitiço temporário, pelo menos até que ele pudesse descartá-la.

Devido àquele desgaste, sua relação de patrono sobre Asteria estava enfraquecida. Agora, ele poderia meramente enviar-lhe seus poderes e falar com ela apenas o necessário. Se excedesse demais seu comando sobre a a serva, o feitiço se quebraria instantaneamente e ela poderia despertar. Agora, com aquele fracasso, o corruptor não poderia mais vigiá-la a todos os momentos e se manteria mais distante do que nunca. Um sibilar ameaçador saiu de sua garganta. Um lorde demoníaco nunca esquecia uma afronta. Ele se vingaria de Makkiu algum dia. E dessa vez aquela criança estúpida não o atrapalharia. Sentando-se em seu covil no submundo, o lorde reassumiu sua forma verdadeira. Escondendo-se nas sombras e maquinando seus próximos atos.

Kaardeloch:
 


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MensagemAssunto: Re: Bitter taste   Seg Jul 22, 2013 10:29 pm

From the calm to the storm

Éramos parecidos demais, eu e Kaardeloch. Não fisicamente, nem em personalidade, posso garantir, mas em poder e comportamento. Não apenas tínhamos um poder da mesma casta como éramos igualmente impassíveis, ilegíveis. Só vim entender suas verdadeiras intenções quando ele começou a me mostrar fragmentos de seu passado. Conversas em recantos, bajulações aos olhos de todos, mentiras, subornos dados e recebidos,  a ambição por sobre o mundo humano e o olhar de revolta para com os outros acima dele. Relances de palácios demoníacos e faces humanas viam à tona. Kaardeloch tentava me desligar da realidade contando sua história.

Não ofereci resistência. Para ser sincero eu até poderia, não me livrar das imagens, mas lançar durante elas um ataque do qual meu adversário não poderia escapar, mas achei mais prudente usar o momento a meu favor. Se ele estava querendo fugir iria retirar a barreira e se a barreira exigia um combate para se romper não deveria ter efeito em mim sozinho. Mesmo que tivesse ou mesmo que ele soubesse usar as cinzas para conjurar outra igualmente poderosa que pudesse atuar apenas em mim, como precisava das cinzas sagradas, a base da barreira capaz de nos conter pelo menos por algum tempo, para se libertar ele nem mesmo tentaria deixá-la para trás.

Eu realmente queria destruir Kaardeloch, mas não queria ferir ainda mais aquela criança que precisaria de tempo para se recuperar daquela possessão forçada. Ele mesmo não poderia ter se manifestado tão selado sem usar uma quantidade absurda de seu poder e levaria um bom tempo para conseguir voltar ao nível de controle que demonstrara se não fosse pelo meu encontro com sua serva. Ele poderia não ter percebido, mas o que acontecera ali não fora uma simples troca de palavras, fora uma exteriorização dos pensamentos e vontades mais profundos da garota. Aquela conversa eram os próprios sentimentos dela, algo que nem mesmo o mais poderoso dos deuses poderia tirar-lhe, que dirá um demônio selado.

Ciente disso deixei-me perder naquelas lembranças difusas e ainda assim organizadas que me contavam quem eu estava enfrentando. Eu deveria saber que ele não era um grande lorde, afinal não citara seu domínio ao apresentar-se assim como deveria saber que vislumbraria a silhueta do grande rei que eu mesmo derrotara, um dos quatro grandes senhores elementais. Talvez fosse o plano do fugitivo me prender com aquela imagem, me fazer entrar em choque ou algo do tipo. Infelizmente para ele o meu tempo de adaptação com a minha condição era algo tão distante que eu simplesmente não podia lembrar. Eu não tinha memórias para me assombrar, não com relação ao meu demônio.
 
Quando despertei para a minha realidade física, estava novamente sozinho. Os céus começavam a limpar e uma adaga forjada com a imagem de uma víbora no cabo. Uma assinatura dizendo para que eu não me esquecesse, uma promessa de um novo encontro e uma jura de vingança. Finalmente tirei as mãos dos bolsos, desabotoando meu sobretudo, o retirando e colocando dobrado por sobre meu braço direito. Desencravei a lâmina do solo ungido pela aura maligna cujo cheiro eu memorizara e contemplei pensando em uma forma de usá-la misticamente contra meu novo inimigo para logo depois guardá-la em um dos bolsos do sobretudo. Aquela altura eu já não podia dizer qual.

- Pode vir, Kaardeloch.  Disse-me voltando meu rosto na direção em que o cheiro do demônio era mais forte antes de tomar o caminho de volta para a cidade. Sim, eu podia rastreá-lo a qualquer momento. Este é um dos meus poderes de Demon Slayer. Vou lhe ensinar como é o poder de um lorde de verdade... Não, vou lhe ensinar como é um poder ainda maior.





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